Não vou desistir de mim
Perdi-me um pouco no tempo. Deixei-me engolir pelos medos alheios e cansaços dos outros. A vida corria-me bem e a curiosidade fazia parte do meu quotidiano apesar da minha preguicite aguda sempre presente. Era viva e alegre, sem ter de provar nada a ninguém. Senhora do meu nariz, a cantarolar quando acordava bem disposta e a revirar os olhos quando a paciência não era abundante... Sabia com quem podia contar e apesar da vida não ter sido sempre simpática para mim, nada de grave me tinha acontecido, sem ser a vida. Que me fez crescer e ser conhecedora de algo mais através de experiências novas, menos boas ou simplesmente inesperadas.
Com tudo isto não quero culpar ninguém, senão eu mesma. Não quero dizer que faria tudo diferente porque talvez não tivesse as amizades que tenho hoje e que tanto prezo, mas quero talvez dizer que poderia não ter perdido um pouco da essência que fazia de mim o ser humano único que só eu sabia ser, poderia ter sido mais forte e não me deixar engolir, simplesmente moldar-me e molda-los a eles... Mas agora também já não há tempo para arrependimentos nem devia ter feito não sei como. Agora resta-me apenas recuperar o que fui deixando pelo caminho. Esperando que a minha preguiça não me consuma também e que o fogo que me está a queimar as veias neste momento não se apague no momento em que acabe de escrever este texto como se já estivesse livre só por ter reconhecido a falha.
O que quero dizer é que o primeiro passo já está. Reconhecer o erro, a falha. Agora não me posso deixar cair em esquecimento, nem em tentação (de nada fazer). Tenho de manter este fogo aceso, com tudo o que me passou pela cabeça, com força para tudo o que tenho de fazer para recuperar o meu bem-estar, a minha vivacidade, as minhas respostas rápidas e o meu amor à vida.
Não sei se já me fiz entender, mas com isto quero dizer, que eu tinha a certeza que era este o curso que queria tirar. No entanto chego ao 1º ano de mestrado e sinto que nada sei, que nada li, que nada me interessa, nada me fascina e não consigo defender a minha profissão perante NÃO peritos na matéria! QUE VERGONHA!! Que vergonha de me ter tornado nisto. Uma desculpa para tudo. Cansaço para tudo. Tristeza para tudo. É certo que neste momento, já não me corre tudo tão bem como antes, mas acomodei-me à expressão "Estou cansada". Cansada de quê? De não saber nada, só se for, Tenho 50 000 coisas para fazer e o tempo é escasso, mas há sempre tempo, é só querermos, E eu quero! Eu tenho de querer! Eu quero ser boa. Gosto muito de me gabar que sou boa naquilo que faço e é por isso que tenho vergonha de fazer à frente dos outros aquilo que não sei se sei fazer. Pois então eu quero ser A MELHOR na minha profissão. Mesmo que não seja a melhor, pelo menos tenho de "morrer" a tentar sê-lo. Não me posso conformar, nunca fui de meios termos e tenho levado este curso, O MEU FUTURO, a meio gás. Porque clamo "estar cansada". Pois que fique ainda mais cansada, mas que me ame e que saiba do que sou capaz, que seja conhecedora e que não me queira calar porque não sei do que falam.
Tenho de parar de viver a vida dos outros e passar a viver a minha. Para poder estar melhor comigo mesma e assim estar melhor para os que contam comigo. Chega de me fazer de vítima.
Posso querer chorar à noite por alguma estrela, por algum cansaço, por alguma amizade ou por algum desamor. Mas que não chore por tudo estar mal e nem o que posso controlar faça por estar bem. Que isto acabe hoje e que eu mude. Mude como nunca mudei. E esta mudança sirva para ser o melhor da minha essência. Porque as pessoas não mudam, e eu só preciso de dar gás e amor à minha vida. Então vamos lá!


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