Uma (boa) razão?

Há diversas coisas que gostava de te dizer. Sinto-me presa dentro de mim mesma. Sinto que há tanto que te quero dizer e que não posso. E não posso, não é porque não tenha oportunidade, porque agora tenho. Não posso, porque não posso fazer isso comigo mesma! Esta liberdade de poder falar contigo novamente deixa-me muito inquieta. E talvez tenha sido por isso mesmo que me acomodei a estar um ano sem falar contigo. Não é que durante esse período não estivesses comigo, nas minhas memórias, nos meus pensamentos, mas pelo menos tive tempo para não ter oportunidade para te dizer rigorosamente nada, o que fez com que a incerteza e a dor fossem de mão dada dar um passeio e a segurança e a felicidade viessem abraçadas debruçar-se no alpendre da minha alma. Esse tempo sem falarmos permitiu-me sossegar os medos, dar espaço a novas sensações e aceitar o amor novamente. Quando voltaste, da forma que voltaste, culpei-te! Fiquei zangada até ao osso, se é que isso é possível. Chamei-te egoísta e disse-te que em nada tinhas mudado (tentei pensar eu para com os meus segredos). E que mal fizeste tu? Tiveste a coragem de dizer o que eu andava a reprimir há um ano! Como pudeste fazer tal coisa? Quem te disse que podias ser valente? Agora? Agora já é tarde para bravuras! O teu tempo ficou lá atrás! Como te atreves a expor de forma tão crua e bonita, tudo o que guardava(mos) cá dentro? Mais uma vez, quem és tu? Armado em bom samaritano, para decidires o que é melhor para mim? Fizeste a tua escolha (agora que finalmente sei a resposta há pergunta que me fiz durante anos a fio) e essa escolha moldou todo o nosso futuro, e uma vez mais, eu fiquei impotente a assistir à nossa desgraça, ao desmoronar de sonhos conjuntos, a ver a felicidade a voar para bem longe e eu a sentir-me enterrada dos pés à cabeça na terra suja da poeira que ficara dos destroços da batalha perdida. Mas quem és tu, valente? Querias que a resposta a isto fosse simples, querias que tivesse um desfecho tão simples como os dos contos de fadas? Afinal todos aqueles anos e todas aquelas conversas fizeram-te acreditar que ainda existem fadas... O que te esqueceste, (e uma vez mais, falha minha), foi de que onde existem fadas, existem duendes, onde existem duendes, existem trolls, onde existem trolls, existe angústia, onde existe angústia, existe sacrifício e onde existe sacrifício, existe dor! Uma dor que não sei se algum dia passará! E já não é uma dor constante, já não é uma dor aguda, já não é uma dor desproporcional. Mas continua a ser uma dor, uma dor miudinha, uma dor achatada, uma dor camuflada, mas não deixa de ser uma dor! E esta dor... Eu ainda não a sei decifrar totalmente, não sei porque se mantém, não sei quem a mantém... Não sei porque a quero manter sequer... Eu disse-te que estava na reta final e talvez tenha a ver com isso mesmo, esta é a minha tempestade antes da bonança! Este é o meu último suspiro, o meu último lamento... E por estar a catalogá-lo de forma tão evidente, ele está-se a demorar um pouco mais!

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