Última conversa?
Tenho sempre tanto para te dizer que acho que já te disse tudo sem te dizer nada.
Na verdade eu quero deixar-te ir. Estou farta disto tudo! Estou farta de sofrer por uma pessoa que não pensa mais em mim. Sei que tem de ser uma escolha minha, que mais ninguém, nem mesmo tu, o pode fazer por mim, mas custa-me tanto ter de admitir que não me queres mais, que não te importas se eu viro costas ou não. Se soubesses que cada sorriso que vejo me faz lembrar a falta que sinto do teu. Que cada carinho que me dão, eu desejo que fosse antes o teu toque vibrante. Que cada piada que dizem eu penso o quanto tu te irias rir ou o quão irias ignorar. Que cada meta minha atingida, o meu menino iria ficar tão orgulhoso de mim... E é assim que me apercebo que já não há esse menino. Já não há o mesmo olhar, o mesmo cuidado, o mesmo desejo, o mesmo amor. E durante DOIS ANOS E MEIO eu fantasiei que ainda havia algo intermitente aí a pulsar sempre que me via. Sem perceber porque hibernava de quando em vez... Sem nunca perceber que não estava simplesmente a hibernar mas sim que se tinha desvanecido no tempo e no espaço.
Sempre idealizei que ainda havíamos de viver tudo o que não vivemos e eu sonhei para nós. Nunca quis aceitar o facto de que já não me amavas. Que já não valia nada para ti. Tudo no meu Mundo se desmoronou! Tudo aquilo em que acreditava, todas as expectativas positivas que tinha em relação à minha pessoa simplesmente é como se nunca tivessem passado de um sonho. Como se eu não valesse um tostão. Como se a pessoa que eu via que era através dos teus olhos nunca tivesse existido. Porque se realmente existisse, como era possível deixar de te entusiasmar? Como de repente deixaste de ter orgulho em ter-me a teu lado? O problema é simples e unicamente meu. Depositei toda a minha confiança e coragem em outro alguém que simplesmente quis continuar a viver a sua vida sem mim. E eu achava que era diferente, que me amavas para sempre, que era inigualável, que nunca ninguém roubaria o meu lugar no teu coração... Que a minha voz era a melodia certa para ti. Que o meu riso era o riso que mais feliz te deixava. Que o meu toque era o mais desejado. Que a minha confiança em ti era a mais libertadora. Que o meu amor era mais do que suficiente, sem nunca te sufocar ou fazer sentir sozinho. Eu sou a única culpada do meu estado actual. Porque fiz de nós uma realidade única e inabalável. Que afinal foi, foi-se, deixando-me sozinha na minha própria realidade. As duas únicas pessoas a quem eu dei TUDO, de alma e coração, simplesmente deixaram-me. Sem quês nem porquês. E eu percebo que afinal o problema é meu. Se calhar não sou suficiente. Ou sou demais. Ou espero demais. Eu não sei o que é, porque nenhum dos dois algum dia foi capaz de me dizer o que foi! E eu fico nesta angústia do não saber o que faço de tão errado assim. A quem eu dava a minha vida, por quem eu dava a minha vida, foi quem primeiro me abandonou sem sequer uma explicação me dar.
Eu sei que sou forte o suficiente para seguir em frente e ser feliz. Mas não o quero fazer. É o que mais me magoa de mim para mim. É não o querer fazer. Por pensar que um dia tu vais perceber que nunca ninguém te vai amar nem cuidar como eu. Que não se vão preocupar se estás feliz ou divertido ou cansado ou triste. Podem ser melhores que eu em tudo. No corpo, na cama, na cozinha, na inteligência, na paciência, na descontracção, em tudo! Menos em amar-te! Foi um amor tão grande. Tão profundo, tão sincero, tão medido sem medida, tão perfeito na sua imperfeição. Tão amoroso no seu calor escaldante e único. Tão especial. Tão nosso! E dói-me o coração por ter de me despedir de tamanho amor. Estou a tremer muito. A tremer muito e a sentir-me doente. Como se estivesse cheia de febre. Porque estou a tentar ter coragem dentro de mim para te dizer que nunca mais te quero ver ou falar, quando só desejo cuidar de ti, saber que estás bem e saber que é a mim que amas. Saber que esse coração está livre para amar outro alguém que não eu, dá-me calafrios, dores de barriga, falta de ar. E eu já não sei se isto é possessão. Se é medo, de ficar sozinha para sempre, do desconhecido, ou de sofrer por alguém que não tu! Porque não vou aguentar. E por ti eu aguento tudo! Mas tudo o que eu quero é um amor que me ame, me cuide e me veja. Que o olhar brilhe só de pensar em mim. Que a distância não o faça ter segundos pensamentos. Que todos os meus objectivos cumpridos sejam um orgulho, que todos os meus medos sejam desbravados com amor e apoio, que todas as minhas indecisões sejam aparicadas com gosto e sejam decididas com amor mútuo. Que me deixe ser totalmente independente por saber que somos completamente dependentes. Quero tudo aquilo a que tenho direito e tu não me quiseste dar! Quero um amor novo que me queira descobrir a cada dia mesmo depois de 20 anos juntos. Quero alguém que suporte as minhas inseguranças e mas devolva com segurança e certeza. Quero alguém que me deixe cuidar de todos os seus medos e angústias tendo a certeza que estarão bem guardadas. Quero tudo aquilo que acreditei ter de ti em algum momento da nossa existência.
Mas sabes o que é pior. Eras realmente o meu melhor amigo e só me apetece ligar-te a dizer o cabrão que o meu ex-namorado é, que sem ter culpa nenhuma tem a culpa toda. E pedir-lhe conforto e conselhos! E gritar sabendo que a seguir vou rir e esquecer aquele cabrão. O problema é que tu nem isso soubeste ser, meu amigo. Tiveste de estragar tudo como tão bem sabes fazer. Fizeste-me apaixonar por tudo em ti, até a porra do teu nariz é perfeito. Essas mãos. Toda a tua inteligência e cultura. Toda a tua força. Todo o teu bom coração para todos os outros! As tuas costas. Esses lábios que me dão sede só de pensar neles. Estou completamente enlouquecida. A única pessoa que me deixava sã é agora a que me deixa duvidar de tudo em mim, no mundo, nos outros!
Por tudo isto e ainda mais tudo o que não consigo verbalizar, gostava de fazer uns votos diferentes para este novo ano que se avizinha!
Gostava de ter a coragem de te querer esquecer. De não te querer nunca mais na minha vida. De não ter que me doer o coração nunca mais por ti. De não pensar no meu ex-namorado com tristeza por já não o ter mas sim com felicidade por tudo o que aprendi e lhe ensinei. Mas nestes momentos todas as incertezas das quais falei até agora voltam e a que mais me angustia, de todas, é o pensamento que me ocupava a mente sempre que a minha mente se esquecia de ti. A dúvida de que se te esquecesse significava que nunca te tinha amado. Porque como é possível esquecer alguém de quem se afirmava amar tanto? Então teria sido tudo uma fachada da minha parte? Nunca te teria amado? Ou pior! Para tu já não me amares... Tu nunca me terias amado?...

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